Publicado em: 04/12/2012 ás 09:25:41
Fonte: Assessoria
Uma deficiência auditiva, adquirida na infância, afastou Virgínia Gonçalina Conceição da Silva, de 67 anos, de freqüentar a escola no período regular. Filha de lavrador foi criada por um tio até o dia em que deixou a lavoura para casar e criar os filhos. Hoje, mais de 50 anos depois, foi estimulada por uma colega a participar das aulas do Programa Brasil Alfabetizado, no bairro Praeiro, onde mora em Cuiabá. Este mês de novembro, vivenciou a alegria de participar da primeira formatura, numa noite cultural a qual lhe conferiu o certificado de conhecimento das letras.
O caso de dona Virgínia é semelhante ao da maioria das mulheres da turma, que por motivos financeiros, familiares, ou de saúde, ficaram distantes dos bancos escolares no período considerado indicado para a alfabetização. Hoje elas trazem para a sala de aula outros conhecimentos, aqueles que aprenderam na vida. E, a partir dessas histórias, os professores resgatam o aprendizado da leitura e escrita.
Ana Maria Moraes de Arruda, 59 anos, e a colega de turma, Ana Pereira dos Santos, 74 anos, também do Praeiro, comemoram a possibilidade de poder assinar o nome. “Acabou o período de carimbar o dedo nos documentos”, disse Ana Moraes. Saber escrever o nome, ler as placas na feira e no mercado, ou mesmo o itinerário dos ônibus é a conquista de inclusão. Um avanço que ela pretende dar prosseguimento, com a matrícula no primeiro segmento da Educação de Jovens e Adultos.
Alfabetizadores
Essa paixão, da qual fala a coordenadora, foi o que levou a irmã Anete – formadora da turma – a mobilizar a comunidade para criar um grupo de alfabetização. “Faço estudo da Bíblia há seis anos no bairro e foi quando uma das participantes manifestou o desejo de saber ler para poder compreender o texto. Foi assim que nasceu a turma do PBA no Praeiro”, relata.
Há pouco mais de três meses dando aulas para a turma do Praeiro, a professora Susye Ekil Mosteiro Auerswald, descobriu uma vocação. “Apesar das dificuldades enfrentadas no início, me adaptei e hoje fiz até uma pós- graduação em alfabetização empresarial, pois me identifiquei com a alfabetização de adultos”, relata a professora.
Programa
O PBA é um programa que visa resgatar pessoas analfabetas e inseri-las na educação formal. O curso, com periodicidade de oito meses, é ministrado por professores aposentados, estudantes de pedagogia, em espaços alternativos (igrejas, centro de convivências ou em salas escolares cedidas em períodos alternativos). A formação de turma fica aos cuidados do professor. “Precisamos do apelo afetivo que eles têm com a comunidade, pois esses estudantes normalmente têm resistência ao ambiente da escola formal”, relata a coordenadora estadual do PBA Márcia Dudeque.
As inscrições para o próximo período, previsto para 2013, já estão abertas. Os interessados- professores e coordenadores de turmas – devem entrar em contato com a coordenação de Educação de Jovens e Adultos (EJA), na Secretaria de Estado de Educação (Seduc) pelos telefones (65) 3613-6325 ou 6447/6321.
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