Publicado em: 31/03/2012 ás 16:51:12
Ibama espera produtores rurais em situação irregular chegarem à época de colheita para só aí fazer a fiscalização
|
|
|
Da Reportagem
O Ibama marcou para os meses de fevereiro e março – época de colheita da soja - uma operação de fiscalização em propriedades rurais do norte de Mato Grosso embargadas em anos anteriores sob a acusação de crimes ambientais. O resultado tem sido a apreensão de quantidades enormes de sacas de soja e prejuízos a pessoas que, depois de trabalhar e investir na terra durante pelo menos cinco meses, agora se vêem impossibilitadas de vender a produção.
Um exemplo disso foi a apreensão, na segunda-feira (26), de duas colheitadeiras e 1,2 mil toneladas de soja (cerca de 21 mil sacas) produzidas em uma área de 528 hectares embargada desde 2009 em Nova Ubiratã, no norte do Mato Grosso. A fazenda estava arrendada pelo proprietário e, mesmo tendo licença ambiental da Secretaria de Estão do Meio Ambiente (Sema) para utilizar 143 hectares, não houve acordo e toda a produção de soja foi tomada. “Mesmo a área licenciada pelo Estado, que corresponde a menos de 30% das terras onde o autuado plantou soja, não poderia ser utilizada antes da suspensão do embargo federal”, diz o Ibama.
O Ibama já havia apreendido, no início do mês, 21 máquinas pesadas – entre plantadeiras, colheitadeiras, pulverizadores, tratores e caminhões – em uma área plantada com soja de cerca de 1,8 mil hectares, dentro de uma fazenda de 4,2 mil hectares em Santa Carmem (35 km de Sinop). O dono da fazenda colhia a soja no momento da apreensão. Os fiscais ainda multaram o fazendeiro em R$ 9,3 milhões “pela atividade agrícola proibida ter impedido a regeneração natural da floresta”.
Moradores e produtores da região afirmam que este tipo de situação é comum na região, o que leva a crer que o sistema de fiscalização do Ibama é falho, já que o órgão poderia agir ainda quando a soja é plantada, evitando prejuízos que não atingem apenas o produtor, mas toda a cadeia de negócios de uma região.
Segundo o chefe de fiscalização do órgão em Sinop, Werikson Trigueiro, isso ocorre com freqüência por conta da falta de pessoal e de dinheiro. Ele diz que, atualmente, o principal foco do Ibama nacional é o desmate. “Fiscais de todo o país vêm para Mato Grosso nesta época para fiscalizar as regiões com suspeita de cortes rasos, aí neste período designamos alguns fiscais para fazer a fiscalização de cumprimento de embargo”, diz. “A principal questão é o recurso, pois o planejamento financeiro do Ibama é feito em cima do indicativo de cortes rasos, que é o principal foco”.
De acordo com Werikson, toda a soja apreendida e o maquinário serão doados a programas sociais ao final do processo administrativo.
A Federação de Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), entidade que representa os produtores rurais em Mato Grosso, não quis se posicionar sobre o assunto.
Notícias relacionadas
06/08/2026
Secretaria Municipal de Saúde Realiza Ação no Acampamento Cinco Estrelas...
02/07/2026
